por: Vagner Melo
Depois de 9 longos anos o São Paulo Futebol Clube voltou a ser campeão.
Além do bom trabalho desempenhado nesses primeiros meses do ano com a nova gestão tricolor, o que chama atenção é o ganho técnico, tático e principalmente de empenho apresentado em campo.
E esses elementos tem a ver com uma pessoa: o técnico Hernan Crespo.
Obviamente que ele não trabalha sozinho e tem toda uma comissão técnica por trás, mas é ele que representa essa equipe.
E ainda que o título do campeonato paulista não tenha o peso que um Brasileiro ou uma Libertadores, o técnico Crespo é mais um técnico estrangeiro que chega e é campeão.
Jorge Jesus no Flamengo elevou o nível de futebol apresentado pela equipe rubro-negra em pouco mais de 5 meses de trabalho. Levando o time a dois títulos e colocando-o com um dos favoritos aos títulos que vem disputando desde 2019.
Outro português, Abel Ferreira, treinador do Palmeiras, teve um desempenho similar ao levar o time alviverde a dois títulos com também poucos meses de trabalho.
E agora foi a vez do argentino Crespo, que com 4 meses de trabalho conquistou o título paulista, a estar sob os holofotes.
Obviamente que os títulos conquistados por esses treinadores em poucos meses de trabalho, envolvem outros componentes, como times com jogadores de qualidade e forte poder econômico.
Mas o que chama atenção é como esses treinadores chegam por aqui e conquistam títulos rapidamente. Desses estrangeiros, quem tem o time mais “limitado” é o São Paulo do Crespo, mas ainda assim ele subiu muito o futebol apresentado pelo time.
Dos treinadores brasileiros ainda temos bons nomes como Cuca e Rogério Ceni, que também foi campão no Flamengo com pouco meses de trabalho, mas vem sofrendo críticas constantes no seu trabalho.
Que o futebol brasileiro precisa passar por uma transformação é claro para qualquer pessoa que goste um pouco de futebol.
Muito dos nossos problemas vem de cima, de dirigentes e federações que só pensam em si mesmos. Mas um ponto que poderíamos começar a observar seria, ao que parece, a falta de vontade de estudar dos nossos treinadores.
O calendário é ruim, tecnicamente os times são fracos, os clubes possuem pouco dinheiro e a maioria deve milhões de reais, mas não me parece que os treinadores buscam se aprofundar nos conhecimentos necessários para a função.
Sabemos que no mundo atual, o aprendizado constante é o diferencial para bons profissionais. E no futebol, isso não deveria ser diferente.
Mas aqui ainda temos a cultura “Renato Gaúcho”, que não é preciso estudar, que ficar na praia jogando futvolei é melhor do que se aperfeiçoar e aprender a ser um profissional melhor e dar o exemplo aos mais jovens.
Temos uma cultura de querer tudo rápido e não valorizar os estudos, por isso o Brasil está na situação atual.
Mas vamos ficar apenas no futebol.
Treinadores estrangeiros apresentam um maior repertório no quesito estudos em futebol. Talvez por isso não vemos muitos brasileiros lá fora, nos grandes centros como Alemanha, Inglaterra e Espanha.
Os técnicos estrangeiros começam a dominar o Brasil e fica para nós esperar o surgimento de novos nomes e que demonstrem algum repertório que traga ao futebol nacional uma melhor esperança de futuro.

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